quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Capítulo 3. Montagem (Parte 1)

1.


(...) a montagem é a determinação do todo. (...) é essa operação que recai sobre as imagens-movimento para extrair delas o todo. 53p.

A montagem é a composição, o agenciamento das imagens-movimento de forma a constituir uma imagem indirecta do tempo. 54p.

Quatro tendências da montagem.

Griffith: composição orgânica das imagens-movimento. Unidade no diverso, conjunto de partes diferenciadas (homens/mulheres, ricos/pobres, cidade/campo, interiores/exteriores)..

Discute modos de relação entre as partes nas páginas 54 e 55.

Conjunto orgânico marcado pela ameaça de rompimento.

Formas de montagem ou alternância rítmica.

A montagem americana é orgânico-activa e a narratividade decorre desse modo de montagem.



2.

Eisenstein: objeções a Griffith.

… partes diferenciadas se dão de forma independentes. Ignorância da questão social, sendo essas partes constitutivas da exploração social. Crítica a concepção burguesa de Griffith.

Griffith não percebe a natureza dialética do organismo e de sua composição. Eisenstein mantém a questão do organismo.

“O orgânico é uma facto, uma grande espiral, mas a espiral deve ser concebida cientificamente, e não empiricamente, em função de uma lei de gênese, de crescimento e de desenvolvimento”. 58 p.

Exemplos de oposição em Eisenstein na página 59.

“Em suma, a montagem de oposição substitui a montagem paralela, sob a lei dialéctica do Uno que se divide para formar a unidade nova mais elevada”. 59p.

Escolha dos pontos-cesura garantem a dimensão artística de um cinema científico: “... o método de Eisenstein comporta essencialmente a determinação de pontos notáveis ou de instantes privilegiados; só que eles não exprimem como em Griffith um elemento acidental ou a contingência do indivíduo, pelo contrário, pertencem plenamente à construção regular da espiral orgânica.” 60 p.

Cinema em Eisenstein comporta o orgânico (gênese e crescimento) e o patético (desenvolvimento). “Não há só unidade orgânica dos opostos, mas passagem patética do oposto para seu contrário” 61p.

“O patético comporta por si próprio estes dois aspectos: é ao mesmo tempo a passagem de um termo a outro, de uma qualidade a outra, e o surgimento súbito de uma nova qualidade que nasce da passagem efetuada. Ele é ao mesmo tempo compressão e explosão”. 61 p. Ex. Orgânico é arco e o patético, ao mesmo tempo, a corda e a flecha. Mudança no conteúdo e na forma.

Montagens de Atrações:

Eisenstein faz do organismo uma composição essencialmente dialética, que dá novo sentido ao intervalo e ao todo. 62 p.

Leis da dialética. Autores soviéticos se encontram na dialética, mas se distinguem na sua definição.

Pudovkine: Interesse pela progressão da consciência. “... revelar o conjunto de uma situação pela consciência que uma personagem toma dela e de prolongar até onde a consciência se pode estender e agir”. 65 p.

Dovjenko: relação triádica entre as partes, o conjunto e o todo. Por Amengual: pela abstração da montagem, se dá ao autor, o poder de falar de fora do tempo e do espaço reais (?). 66 p. Produção de lugares desmedidos, já que o todo está em constante mutação. Ao mesmo tempo separa as parte e prolonga o conjunto, semelhante a Proust.

Entre os três: “a idéia de que o materialismo era antes de mais histórico e que a natureza só era dialética porque já sempre integrada numa totalidade humana”. 67 p.

Vertov: dialética da matéria em si-mesma. 4A lei, em oposição as demais. Ação guiada por uma razão profunda. No cinema de Vertov importavam todas “as passagens de uma ordem que se desfaz a uma ordem que se constrói”. 67p. Sendo que entre esses dois movimentos há um intervalo variável. Desterritorializações e territorializações?

Intervalo visto como a percepção, o olhar da câmera.

Os 3 autores se serviam da dialética para “transformar a composição orgânica da imagem movimento, Vertov encontrava aí o meio de romper com ela”. 68 p.

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