1.
Enquadramento: sistema fechado, relativamente fechado, que compreende tudo o que está presente na imagem.
Quadro: mais sistema informático, que linguístico. Duas tendências: saturação ou rarefação. Função implícita de registrar informações visuais e sonoras.
Profundidade: campo que permite exercícios de rarefação.
Percepção: se se ver pouco, é possível que não se saiba ler a imagem.
Quadro: não variação da imagem que o ocupa.
Enquadramento é sempre limitação. “... os limites podem ser concebidos de duas maneiras, matemática ou dinâmica: ou como prévios à existência dos corpos cuja a essência fixam ou como indo precisamente até onde vai o poder do campo existente” (p. 31).
Dispõe sobre modos de produção geométrica sobre quadros no cinema.
Quadros: divisão por faixas ou zonas: graduações físicas. “As partes do conjunto são agora partes intensivas e o próprio conjunto é uma mistura que passa por todas as partes, por todos os graus de sombras e de luz, por toda a escala de claro e escuro” p.32. (tendência expressionista).
“O conjunto não se divide em partes, sem de cada vez mudar de natureza: não é nem divisível nem indivisível mas dividual” p.32.
Aponta para fechar essa discussão que no cinema o quadro sempre assegura “uma desterritorialização da imagem”.
Quadro e angulação do enquadramento. Produção do insólito; desenquadramentos. Questão: “... a imagem visual tem uma função legível para lá da sua função visível” p.34.
Fora-de-campo: “remete para o que não se ouve nem se vê, mas que está no entanto perfeitamente presente” p. 34.
Dois modos:
“enquadrado um conjunto, e portanto visto, há sempre um conjunto maior, ou outro com o qual o primeiro forma um maior, e que pode por sua vez ser visto, na condição de suscitar um novo fora-de-campo...” p.35. Materialidade dos conjuntos e sua relação com o todo. Fora-de-campo e os aspectos relativo e absoluto dos conjuntos. Aspecto relativo: “sistema fechado remete no espaço para um conjunto que não se vê, e que pode por sua vez ser visto, mas para suscitar um novo conjunto não visto, ao infinito. Absoluto: sistema fechado se abre a uma duração imanente ao todo do universo, que já não é um conjunto e não é da ordem do visível. p. 36.
Fio grosso: função que liga o espaço ao espaço. Relativo. Relação atualizável com outros conjuntos.
Fio fino: introdução do trans-espacial e do espiritual num sistema que nunca se fecha (duração). Relação virtual com o todo.
2.
Découpage: determinação do plano e o plano a determinação do movimento que se estabelece no sistema fechado, entre elementos ou partes do conjunto.
Faces do movimento: relação entre partes e afecção do todo.
“Daí a situação do plano, que se pode definir abstractamente como intermediário entre o enquadramento do conjunto e a montagem do todo. Ora voltado para o plano do enquadramento, ora voltado para o plano da montagem”. p. 40.
“(...) a única consciência cinematográfica não somos nós, cada um dos espectadores, nem o herói, é a câmera, ora humana, ora inumana ou sobre-humana” p.40. “O plano, ou seja a consciência, traça um movimento que faz as coisas entre as quais se estabelece, estejam continuamente a reunir-se num todo e o todo a dividir-se entre as coisas (o dividual)”p. 41.
Discussão sobre o que toma por “estilística” no cinema de alguns autores nas páginas 42 e 43.
O plano é a imagem-movimento. “Na medida em que refere o movimento a um todo que muda, é o corte móvel de uma duração” p. 43.
“Por outras palavras, o que é próprio da imagem-movimento cinematográfica é extrair dos veículos ou corpos móveis o movimento que é a sua substância comum, ou extrair dos movimentos a mobilidade que é a sua essência” p. 44.v
“É que o cinema (…) dá relevo ao tempo, uma perspectiva no tempo: ele exprime o próprio tempo como perspectiva ou relevo. É por isso que o tempo ganha essencialmente o poder de se contrair ou de se dilatar, como o movimento, o poder de abrandar ou de acelerar”. p. 45.
3.
Tempo da câmera fixa. Imagem primitiva.
Imagem está em movimento em vez de imagem-movimento. Processos de sobreposição de imagens.
Produção no cinema de imagem-movimento: mobilidade da câmera e pela montagem.
Bergson: as coisas nunca se definem pelo seu estado primitivo, mas pela tendência escondida nesse estado.
Plano: determinações espaciais fixas, fatias de espaço ou distâncias relativamente à câmera. p. 48.
Plano-sequência: emerge o movimento e a duração. Disposição de modos de planos-sequência nas páginas 49 e 50.
“É pois necessário que o todo renuncie a sua idealidade e se torne o todo sintético do filme que se realiza na montagem das partes; e, inversamente, que as partes se selecionem, se coordenem, entrem em raccords e ligações que reconstituam por montagem o plano-sequência virtual ou o todo analítico do cinema” p. 51.
Glossário:
Raccord serve para designar os efeitos visuais, sonoros ou de linguagem cinematográfica utilizados para garantir a coerência entre dois planos ou duas cenas subsequentes em um filme ou vídeo.
Travelling: Câmara em movimento na dolly acompanhando, por exemplo, o andar dos atores, na mesma velocidade. Também, qualquer deslocamento horizontal da câmara. ( http://www.roteirodecinema.com.br/manuais/vocabulario.htm )
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