“Na medida em que eu sou o produto de uma sociedade de classe média, e estou preocupado em fazer dramas de classe média, eu não estou equipado para dar soluções. A classe média não me proveu dos meios pelos quais resolver qualquer problema da classe média. Eis porque me restringi a apontar os problemas existentes sem propor qualquer solução”.

Isso é mais que um depoimento. É um manifesto. Belo e de uma verdade que não se pode calar, pois é produto do silêncio.
ResponderExcluirAcho que isso me leva ao silêncio, pois me cala sobre as críticas inoperantes que nada solucionam, inclusive minha crítica inoperante à crítica inoperante.
ResponderExcluirAo que me parece, nos é mais fácil estabelecer parceria com o artista que com o cientista. Como Freud bem colocou no seu trabalho sobre a Gradiva, não há nada que um filósofo diga que um poeta não o tenha dito a pelo menos 100 anos antes dele. Vâmo nessa...
ResponderExcluirSão muitos os silêncios. Em relação ao que se conversar aqui, escuto dois modos de silenciar. Há o silêncio de uma sociedade, a qual Antonioni parece querer por em questão e há o silêncio de cada um de nós, aquilo que nos chateia, nos faz querer partir para outra coisa e deixar quieto, melho, mudo o nosso mundo. Quando o silêncio é grupal, antes se liga o som, para depois ver como dançar o possível.
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